Esta é uma das coisas em que acho que acredito!
Ele escrevia de várias formas, conforme seus personagens ou heterônimos, dando a impressão de que, em cada fase, ou sei lá, dia, ano, da vida, ele via as coisas sob determinado aspecto e é assim que sou...
Mas gosto, especialmente, de um dos Fernando que fala da contemporaneidade, coisas que dizem, um pouco, mais respeito a este tempo, só que escrito lá na década de 20.
Sobre como ele, ou eu, às vezes, me sinto no mundo.
Não, não estou infeliz, aliás, tenho andado felicissima!
E não sou daquelas que fica pensando: ah, depois do riso, vem o choro, e outros ditados não ditosos.
Ai, será que é muito chato ficar fazendo trocadilhos? Mas, gente, não consigo me conter.
É como o escorpião, daquela estória que o cavalo transportou ele de uma margem à outra do rio, com a promessa do próprio de que não iria mordê-lo.
Antes de chegar à margem, o escorpião pica o cavalo e este diz: mas você prometeu que não iria me picar ou morder, sei lá.
Ao que o escorpião respondeu:
é impossível, faz parte da minha natureza.
De modo que meu estado de espírito atual,não tem nada a ver com minha natureza, também, ou seja, não tentem entender, algo que nem eu entendo.
E, acreditem, não vale a pena.
Tem vários deste Fernando aí, que mais gosto, mas existem dois especiais, um Tabacaria e outro,não lembro direito, diz quem nunca levou porrada..., que todos são principe, todos impolutos, maravilhosos.
E assim me parecem um pouco as pessoas: tem medo de se mostrar, de contar os insucessos, de parecerem fracassadas, parecem ter tudo absolutamente sob controle.
É isto, vou colar um pedaço destas poesias embaixo, e, ah, ia esquecendo:não emprestem livros, eu tinha um perfeito dele e me surrupiaram.
Depois a gente compra outro mas não tem a mesma graça.
Achei o nome:
Poema em linha reta
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo."
um pedaço de Tabacaria, que é bem maior:
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Beijos,
Be
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário